O Museu da Catedral de Salzburgo sedia uma importante exposição promovida por ocasião do oitavo centenário do Trânsito de São Francisco, realizada de 24 de maio a 2 de novembro de 2026. A mostra, intitulada originalmente “LebensKunst” (Arte de Viver), propõe-se a explorar os grandes temas abordados pelo Santo de Assis, que moldaram de inúmeras formas a Ordem Franciscana ao longo de oito séculos.
A origem do projeto
A iniciativa nasceu por impulso da Associação Franziskanische Forschung (Pesquisa Franciscana), com sede em Münster. A última grande exposição franciscana realizada em colaboração com essa entidade remontava a 2011/2012, no Museu Diocesano de Paderborn.
Há cerca de três anos, a ideia de uma nova exposição foi proposta ao Museu da Catedral por meio da colaboração do Arcebispo de Salzburgo, Franz Lackner OFM. Os eixos temáticos e o próprio título da mostra — “A Arte de Viver” — foram definidos ao longo de uma série de reuniões de trabalho com representantes das Ordens franciscanas da Alemanha, Suíça e Áustria, tomando como ponto de partida os grandes temas propostos por Francisco de Assis que moldaram a vida da Ordem por oito séculos.
O percurso expositivo
A mostra apresenta mais de 100 peças, entre obras de arte, manuscritos, gravuras e objetos de uso cotidiano, provenientes de cerca de 40 instituições diferentes da área de língua alemã — principalmente conventos, mas também museus públicos e coleções privadas. Entre as peças de maior destaque, sobressaem as sandálias do beato capuchinho Marcos d’Aviano.
O percurso tem início na Sala 1 com uma reflexão profunda sobre o legado de São Francisco: um estilo de vida que o tornou imortal muito além das fronteiras eclesiais. Para os franciscanos, vida e arte sempre estiveram intimamente ligadas: por um lado, cultivaram uma “arte do cotidiano” e da sobriedade — a arte do desapego dos bens materiais —; por outro, quando a arte tocava o Sagrado ou envolvia benfeitores, não se furtavam ao uso de materiais preciosos. A exposição ilustra ambos esses aspectos, com o objetivo de inspirar os visitantes por meio da “arte de uma vida bem vivida” do Pobrezinho de Assis.
Uma acolhida “viva” e o espaço de encontro
Um aspecto extraordinário do evento é a presença nas salas de 81 voluntários — frades capuchinhos, irmãs e leigos — da família franciscana provenientes da Alemanha, Áustria e Suíça. Além de zelar pelas obras, sua missão é “dar ressonância” aos temas expostos e criar uma ponte com o presente.
Os visitantes poderão reconhecê-los facilmente pelo hábito religioso ou pelo traje da Terceira Ordem, bem como por crachás especiais com o convite: “Ainda tem perguntas…?”. Para facilitar o diálogo, foi criado ao longo do percurso um “cantinho de encontro” (Ansprech-Ecke), onde os voluntários estão à disposição para conversar com o público.
Como já mencionado, o projeto foi desenvolvido pelo Museu da Catedral de Salzburgo em estreita colaboração com o Centro de Pesquisa Franciscana (Fachstelle Franziskanische Forschung). A FFF é uma associação sem fins lucrativos com sede em Münster, fundada em 2007 por iniciativa dos Capuchinhos, Menores e Conventuais, com o objetivo de apoiar, articular em rede e renovar a longa tradição científica e de pesquisa das comunidades franciscanas. A entidade promove ainda jovens pesquisadores e desenvolve projetos próprios ou em parceria com instituições universitárias e extrauniversitárias, tanto em âmbito nacional quanto internacional.
Para mais informações sobre a exposição, acesse o site do DomQuartier: https://www.domquartier.at/presseaussendungen/lebenskunst-800-jahre-franz-von-assisi/
