Ordo Fratrum Minorum Capuccinorum

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updated 9:26 AM CEST, Oct 10, 2019

Peregrinação à tumba de São Lourenço

No ano em que celebramos os 400 anos da morte do nosso confrade São Lourenço de Bríndisi, convidamos para uma peregrinação virtual à sua tumba, que se encontra na Espanha, em Villafranca del Bierzo. A tumba é guardada pelas monjas Clarissas, que há séculos vivem aí no convento da Anunciada.

Convidamos todos para ver o vídeo e a galeria de fotos. Boa peregrinação!

Gostaríamos de informar que também as fotos em alta qualidade da tumba do nosso Santo estão à disposição dos Frades para publicações e imprensa. É possível baixá-las de Capuchin Creative Commons – clicando no link.

 

São Lourenço de Bríndisi, OFMCap
Doutor Apostólico
1559 – 1619

Giulio Cesare Russo (Lourenço) nasceu em Bríndisi, na Apúlia, em 22 de julho de 1559. Em 19 de fevereiro de 1575 vestiu o hábito capuchinho em Verona e, em 24 de março de 1576, emitiu a profissão religiosa, e em 18 de dezembro de 1582 foi ordenado sacerdote. Em 1599, foi eleito definidor geral e encarregado de fundar a Ordem na Boêmia. No decurso de 1600, fundou dois conventos, em Viena e Graz, e contribuiu para a vitória de Alba Real em outubro de 1601. Foi eleito Vigário Geral em 24 de maio de 1602, e visitou todas as províncias europeias, a pé. Paulo V, no início de 1606, ordenou-lhe para retornar à Boêmia. Entre 1607 e 1609, compôs a obra apologética Lutheranismi hypotyposis. Em 1613, definidor geral, visitou a Província de Gênova e foi eleito Ministro Provincial. De 1614 a 1619, empreendeu muitas missões diplomáticas. Em 22 de julho de 1619 morreu em Lisboa, e o seu corpo foi transportado para Villafranca del Bierzo (Galícia) e sepultado no mosteiro das franciscanas descalças. Pio VI o beatificou em 23 de maio de 1783 e Leão XIII o canonizou em 8 de dezembro de 1881. Entre 1928 e 1956 foram publicados os volumes da sua Opera omnia, pela qual João XXIII o proclamou Doutor da Igreja (“Doutor Apostólico”) em 19 de março de 1959.

Doutor Apostólico

São Lourenço nasceu em Bríndisi em 22 de julho de 1559, filho de Guglielmo Russo e de Elisabetta Masella. Pouco se conhece da sua infância, transcorrida na cidade natal, onde recebeu a primeira formação. Tendo ficado órfão de pai, foi acolhido pelos conventuais brindisinos, junto aos quais frequentou proveitosamente a escola. Falecida mais tarde também a mãe, transferiu-se já adolescente a Veneza, junto a um tio sacerdote, com o qual aprofundou a sua formação cultural e espiritual. Em Veneza, foi-lhe possível conhecer e frequentar os capuchinhos, que habitavam um humilde convento junto à pequena igreja de Santa Maria dos Anjos, na ilha de Giudecca. Foi imediatamente atraído pela sua vida pobre e austera, e logo pediu e conseguiu ingressar na Ordem. Tendo vestido o hábito capuchinho em Verona em 19 de fevereiro de 1575, Fr. Lorenzo cumpriu com fervor o ano de noviciado, verdadeira escola de ascese e de santidade, e emitiu a profissão religiosa em 24 de março de 1576. Em seguida, primeiro em Pádua e depois em Veneza, empreendeu o estudo da filosofia e da teologia, logo mostrando uma excepcional destreza intelectual e uma insaciável sede de saber; deu particular importância à Sagrada Escritura, que aprendeu toda de memória, aperfeiçoando-se também nas línguas bíblicas. Mais do que tudo, porém, aplicou-se na busca da perfeição religiosa, seguindo a escola boaventuriana, que privilegiava o fervor da vontade e a ascensão do espírito.

Após a ordenação sacerdotal, recebida pelas mãos do Patriarca de Veneza Giovanni Trevisan em 18 de dezembro de 1582, a principal atividade de Lourenço foi o ministério da pregação. Já como diácono, tinha pregado uma quaresma inteira na igreja veneziana de San Giovanni Nuovo: agora, percorre toda a Itália, empenhado no anúncio da palavra de Deus. Para esta tarefa, era favorecido por todo um conjunto de dotes físicos, intelectuais e espirituais, que o tornavam um verdadeiro e fecundo orador: segundo a escola franciscana, a sua pregação era fortemente fundada na Escritura, por ele proclamada com lucidez de pensamento e riqueza expressiva. São inúmeros os episódios de conversões que se multiplicavam ao seu redor, frequentemente entre os não cristãos, como aconteceu em Roma de 1592 a 1594, quando pregou aos judeus por encargo das autoridades pontifícias.

Logo Lourenço foi chamado a tarefas de responsabilidade e de governo. De 1583 a 1586, desempenhou o ofício de docente e, no triênio seguinte, de 1586 a 1589, exerceu o encargo de guardião e mestre de noviços. Em 1590, foi eleito Provincial da Toscana. De 1594 a 1597, foi Provincial de Veneza, e foi chamado à mesma tarefa para a Província suíça em 1598. Dois anos antes, em 1596, foi eleito Definidor Geral.

Fundamental foi a ação de Lourenço para a difusão da Ordem capuchinha na Europa central. Após a fundação do convento de lnnsbruck, em 1593, coube a ele aceitar o lugar para o novo convento de Salzburgo, fundado três anos depois. No território imperial, foi fundado ainda em 1597 um convento na cidade de Trento. Após insistentes pedidos do Arcebispo de Praga Zbynek Berka von Duba, foi decidido, no Capítulo Geral de 1599, enviar à capital da Boêmia o capuchinho de Bríndisi à frente de um grupo de confrades. A chegada a Praga, ocorrida em novembro de 1599, foi logo caracterizada por inúmeras dificuldades, causadas sobretudo pela população, em grande parte de tendências reformistas e anticatólicas. Uma intensa atividade apostólica, centrada no ministério da pregação e em um diálogo aberto e familiar, teve como fruto a fundação de um convento e o retorno à fé católica de muitas pessoas, conquistadas pelas argumentações convincentes do capuchinho e, sobretudo, pela sua fama de santidade. Duas novas instalações para os capuchinhos foram fundadas por Lourenço no decurso de 1600 em Viena e em Graz. Um fato importante foi a sua participação na cruzada antiturca: apesar da inaptidão dos comandantes, foi possível, ao exército cristão, espiritualmente sustentado e encorajado pelo capuchinho, conseguir a importante vitória de Alba Real, em outubro de 1601.

No Capítulo Geral de 24 de maio de 1602, Lourenço foi eleito Superior Geral dos Capuchinhos: tal novo encargo comportava, primeiramente, a visita a todos os frades. A Ordem se configurava então subdividida em trinta províncias com cerca de nove mil religiosos, espalhados por toda a Europa: era tarefa do Geral visitar todas as províncias e encontrar os frades, exortando e encorajando todos. O Geral subiu pela Itália, visitou a Suíça, passou pelo Franco-Condado e pela Lorena; na metade de setembro, encontrava-se nos Países Baixos e transcorreu o inverno visitando as províncias francesas de Paris, Lião, Marselha e Tolosa. No primeiro semestre de 1603, encontrava-se na Espanha, de onde regressou à Itália, efetuando a visita a Gênova, antes de se dirigir à Sicília e ao Sul. Apesar das viagens massacrantes, continuou sempre a observar rigorosamente os rígidos costumes da Ordem, os jejuns prolongados e as severas abstinências.

Após o triênio de generalato, foi enviado por Paulo V à Baviera e à Boêmia. Além da atividade apostólica, desempenhou uma habilidosa obra diplomática entre o Duque da Baviera Maximiliano de Wittelsbach e as autoridades imperiais, que culminou na constituição de uma Liga Católica para se contrapor à União Protestante, celebrada entre luteranos e calvinistas e voltada a dividir os Estados católicos para tirar vantagens territoriais. A tal finalidade, Lourenço efetuou numerosas viagens entre Munique e Praga, e teve que se dirigir também à Espanha, onde conseguiu convencer Filipe III a apoiar a Liga e a ajuda-la financeiramente. Em seguida, por cerca de um triênio, de 1610 a 1613, residiu em Munique como representante da Santa Sé. No Capítulo Geral de 1613, eleito pela terceira vez Definidor Geral, foi enviado como visitador à província de Gênova, onde, contudo, foi aclamado como Provincial. Somente em 1616 pôde regressar à sua Província de Veneza e dedicar-se a um período mais intenso de retiro e de oração. Características particulares da sua espiritualidade, tipicamente franciscana e cristocêntrica, foram o culto da Eucaristia e a devoção a Nossa Senhora. A santa missa, celebrada por ele com fervor incontido e ardentes invocações, prolongava-se normalmente por uma, duas ou três horas, e, frequentemente, após um indulto de Paulo V, até a oito, dez e doze horas. À Virgem Maria, ele atribuía todo dom e toda graça, e nada poupava para difundir a sua devoção.

Apesar da sua aspiração à vida retirada, teve que interrompê-la frequentemente, por ordem do Papa, para missões diplomáticas destinadas à paz e à concórdia. É o que fez em 1614, quando tratou da rendição dos piemonteses assediados em Oneglia; ou em 1616, quando interveio para tentar um acordo entre espanhóis e piemonteses em Candia Lomellina. Em 1618, conseguiu obter a paz entre o Governador de Milão Dom Pedro de Toledo e o Grão-duque de Saboia Carlos Emanuel I. No outono de 1618, encontrou-se envolvido na tentativa de restituir a paz e a serenidade ao Reino de Nápoles, onde o descontrolado e prepotente Vice-rei Dom Pedro Téllez Giron, Duque de Osuna, cometia arbitrariedades e perseguições. Representantes da nobreza e do povo se dirigiram ao santo capuchinho, que ainda uma vez teve que se submeter às dificuldades de uma longa viagem à corte de Madri. Quando as tratativas já estavam prestes a surtir efeito positivo, Lourenço adoeceu gravemente. Esgotado pelas fadigas e pelos sofrimentos, apesar da assistência dos médicos do Rei, morreu em 22 de julho de 1619, com a idade de 60 anos. O seu corpo foi transportado a Villafranca del Bierzo (Galícia), onde foi sepultado na igreja do mosteiro das franciscanas descalças.

Apesar das pesadas tarefas de governo dentro da Ordem e da fervorosa atividade diplomática exterior, Lourenço de Bríndisi pôde redigir numerosos escritos que, entre 1928 e 1956, foram compilados na edição da Opera omnia. Eles podem ser classificados em quatro categorias:

  1. Obras destinadas à pregação: são a maioria e compreendem as quaresmais, as adventuais, as dominicais; o Santoral com uma vasta série de discursos para as festas dos santos; o Marial, verdadeiro tratado de mariologia, com a apresentação de todas as prerrogativas da Virgem Maria e do seu papel na história da salvação e uma rica série de exposições sobre a Salve Rainha, sobre o Magnificat e sobre a Ave Maria;
  2. Obras exegéticas, entre as quais, enumeram-se a Explanatio in Genesim, rico comentário sobre os primeiros onze capítulos do primeiro livro da Escritura, e o De numeris amorosis, opúsculo sobre o significado místico e cabalístico do nome hebraico de Deus;
  3. Obras de controvérsia religiosa: menciona-se sobretudo a Lutheranismi hypotyposis, composta entre 1607 e 1609 e endereçada inicialmente contra o pregador reformado Policarpo Laisero: representa uma refutação completa e orgânica de toda a doutrina luterana;
  4. Escritos de caráter pessoal e autobiográfico: trata-se do opúsculo De rebus Austriae et Bohemiae, escrito por ordem dos superiores, com a narração das vicissitudes ocorridas nos países alemães entre 1599 e 1612.

Há apenas quatro anos da morte de Lourenço de Bríndisi, foi introduzido pelo Superior Geral da Ordem Clemente de Noto o processo de canonização. Longas pausas se verificaram devido ao conhecido decreto de Urbano VIII e, em seguida, por eventos críticos de natureza político-religiosa. A beatificação aconteceu por obra de Pio VI em 23 de maio de 1783 e, cerca de cem anos depois, foi possível obter a sua inscrição no catálogo dos santos, efetuada por Leão XIII em 8 de dezembro de 1881. Após o exame de suas obras, definidas “verdadeiros tesouros de sabedoria”, João XXIII, em 19 de março de 1959, proclamou o santo brindisino Doutor da Igreja.

Na iconografia, os motivos mais recorrentes são aqueles que se inspiram na celebração da missa e na ciência do santo, que é representado em ato de escrever as suas obras. Um terceiro motivo é aquele da batalha de Alba Real contra os turcos.

Texto extraído do livro: Sulle orme dei Santi. Il Santorale Cappuccino: santi, beati, venerabili, servi di Dio; p. 83-90.

Última modificação em Sábado, 14 Setembro 2019 05:29