Curia Generalis Ordinis Fratrum Minorum Capuccinorum

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updated 10:39 PM CET, Dec 9, 2017

Venerável Marcelino de Capradosso, OFMCap.

Em 7 de novembro de 2017, a Assembleia Ordinária dos Cardeais e Bispos da Congregação para as Causas dos Santos deu voto positivo, reconhecendo as virtudes heroicas do Servo de Deus Marcelino de Capradosso (1873-1909), professo da Província das Marcas. Uma Causa iniciada há 70 anos!

De fato, os processos ordinários sobre a fama de santidade do novo Venerável foram introduzidos em 29 de julho de 1948, junto à Cúria Diocesana de Fermo, e encerrados em 30 de novembro de 1954. Os Autos processuais foram entregues à Sagrada Congregação dos Ritos em 30 de janeiro de 1956. Conforme o procedimento à época, em 29 de novembro de 1957 foi nomeado o Relator da Causa e, sucessivamente, em 24 de novembro de 1959, foi emitido o votum super scriptis. Em 19 de fevereiro de 1971, a Chancelaria da Congregação entregava a Cópia Pública. Após as normas emanadas pelo Bem-aventurado Paulo VI, em 1965, e sucessivamente, em 1983, por São João Paulo II, todo o processo necessitou de uma atualização. Redigido o suplemento de investigação histórica, a Congregação para as Causas dos Santos, em 13 de janeiro de 1995, emitia o Decreto de validade jurídica dos Processos.

Em 7 de julho de 1998, a Positio super Vita Virtutibus et Fama sanctitatis foi apresentada à Congregação para as Causas dos Santos para o normal procedimento canônico. A Positio foi discutida pelos Consultores Históricos em 16 de abril de 2012 e, sucessivamente, após ter integrado a documentação, como solicitado pela Congregação para as Causas dos Santos, em 28 de fevereiro de 2017, pelos Consultores Teólogos.

O Santo Padre Francisco, em 8 de novembro de 2017, autorizou a promulgação do Decreto.

Giovanni Maoloni, o nosso Marcelino de Capradosso, nasceu em 22 de setembro de 1873, em Villa Sambuco di Castel di Lama (Ascoli Piceno), filho de Pasquale Maoloni e Serafina Caioni, quarto de seis filhos. Por razões de trabalho, a família se transferiu pouco depois do nascimento de Giovanni para Capradosso.

Por causa da modesta economia familiar, Giovanni não pôde participar das aulas escolares, seus braços eram muito preciosos no campo, aprendendo a ler e escrever sozinho. Seu pároco, Padre Giovanni Michelessi, guiou-o na vida espiritual, reconhecendo nele um jovem de coração generoso e puro.

Como todos os jovens de sua idade, pensou em formar uma família, mas preponderante se apresentou nele o chamado à vida religiosa. O pai, já idoso e sem forças, aconselhou-o prudentemente a esperar enquanto o irmão mais novo Emidio não tivesse alcançado a segurança econômica, para poder substitui-lo nos trabalhos agrícolas e no sustento da família. Acolhendo o desejo do pai, esperou três anos.

Finalmente, em 6 de abril de 1902, Giovanni, com a idade de 28 anos, pôde seguir a sua vocação dirigindo-se, na calada da noite, ao convento dos Capuchinhos de Ascoli Piceno. Aí, foi alcançado pelo irmão mais velho Vincenzo, determinado a dissuadi-lo de seu propósito, até com a violência, e não apenas verbal. Giovanni se deixou bater sem responder nada. Dez dias depois, iniciou o noviciado em Fossombrone, recebendo o seu novo nome: Frei Marcelino de Capradosso.

Após uma formação dura e intensa (são deste período as suas lutas com o demônio e as visões marianas, que produziram também em seus superiores um senso de estranheza), emitia a profissão simples em 27 de abril de 1903. Ao término do noviciado, Frei Marcelino era um homem maduro de 30 anos, treinado na virtude e na oração, de grandes dotes humanos, grande trabalhador, sempre pronto à obediência, dedicado às penitências, inclusive a flagelação, sempre pronto ao coro; foi convidado ao convento de Fermo, onde estava presente uma fraternidade formadora.

A sua atividade prevalente não estava vinculada a uma obediência explícita, mas a uma série de encargos que, normalmente, os irmãos leigos neoprofessos recebiam: auxiliar de cozinha, onde, sem experiência, nem sempre esteve à altura; hortelão, no qual pôde contar com seus precedentes anos de trabalho agrícola e foi muito bem-sucedido; enfermeiro, sempre solícito e caridoso para com os doentes.

Considerado maduro na vocação e forte na virtude, foi encarregado pela esmola, encarando também longos períodos de ausência do convento; dormindo e se alimentando como hóspede de famílias e de casas paroquiais; jejuando até tarde para poder receber a eucaristia; encontrando as pessoas e levando-lhes uma boa palavra.

O seu emblema era a bolsa que levava a tiracolo, uma bolsa que abria as portas e as almas. Difundiu-se aos poucos a fama da sua vida religiosa excelente, acompanhada por aqueles pequenos sinais extraordinários típicos da tradição franciscana dos fioretti: favas murchas que regeneravam, ou barris vazios, dos quais jorrou vinho, ou de um barril pesadíssimo que conseguiu transportar sozinho.

Ia aos pobres e ricos sem distinção, pedindo por amor de Deus a caridade para seus frades, retribuindo-a com aquela espiritual, pois o que não se merece é o que mais se precisa. As suas mendicâncias foram obra de extraordinária evangelização do mundo rural, que, por experiência, conhecia tão bem.

Entre os momentos mais intensos e significativos da vida simples e linear de Frei Marcelino, esteve a assistência a um jovem confrade, Frei Serafino de Pollenza, gravemente enfermo de tuberculose. Por cerca de seis meses, foi ao seu encontro em todas as suas necessidades materiais e espirituais, confortando-o com as palavras da fé e da caridade, pondo em prática a sua natural predisposição para com as dores alheias, que fazia suas e jamais se cansava de aliviar.

Terminado seu serviço ao enfermo, pediu para partir em missão ao Brasil, mas, após certo tempo, o Servo de Deus adoeceu, provavelmente por contágio, de peritonite tuberculosa. Em 24 de agosto de 1908, foi internado no Hospital Humberto I de Fermo, onde foi submetido, sem clorofórmio, a uma operação cirúrgica, deixando-o com a ferida aberta para permitir a saída de pus. Os sofrimentos foram fortes, aceitados pelo Servo de Deus sem se lamentar e com ânimo alegre, sorridente, proclamando-se o homem mais feliz do mundo, em um sereno abandono em Jesus. Os últimos dois meses, não conseguindo mais ficar em pé, passou-os completamente acamado, na oração contínua e no sacrifício de si, agradecendo por cada pequeno serviço recebido.

Recebendo alta do hospital, morreu no convento em 26 de fevereiro de 1909, após ter recebido a unção dos enfermos e o viático. A enfermidade foi vivida pelo Venerável Servo de Deus por amor a Cristo, tendo bem presente a glória do Paraíso.

Última modificação em Quinta, 07 Dezembro 2017 03:40