Ordo Fratrum Minorum Capuccinorum

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updated 6:22 AM CEST, Aug 6, 2020

Luciano Botovasoa, Terciário Franciscano: Bem-aventurado

Em 2 de maio de 2017, a Sessão Ordinária de Cardeais e Bispos da Congregação para as Causas dos Santos reconheceu o martírio de Luciano Botovasoa (1908-1947), leigo, pai de família e professor de escola, que, com serenidade evangélica, após ter posto a salvo a mulher os filhos, e enquanto rezava pelos seus perseguidores, levou a cumprimento sua conformidade a Cristo até a efusão do sangue.

Em 4 de maio de 2017, o Santo Padre Francisco autorizou a assinatura do decreto que abre as portas para a beatificação, que poderia ser celebrada em Madagascar no mês de novembro de 2017.

Lucien Botovasoa

Luciano Botovasoa nasceu em 1908 em Vohipeno, um município rural do sudeste de Madagascar, na Província de Fianarantsoa.

Em 1918, inicia os estudos na escola estatal para em seguida, em 1920, transferir-se ao Colégio São José de Ambozontany, dirigido pela Companhia de Jesus. Em 1928, ao concluir os estudos, obteve o Diploma de Habilitação ao Ensino e, já no mês de outubro do mesmo ano, tornou-se professor paroquial de Vohipeno, fazendo seu o lema da Companhia de Jesus: Ad maiorem Dei gloriam. Em 10 de outubro de 1930, casou-se com Suzanne Soazana na igreja paroquial de Vohipeno e, em 2 de setembro do ano seguinte, nasceu Vincent de Paul Hermann, o primeiro dos seus oito filhos, dos quais apenas cinco sobreviveram. O Servo de Deus não é somente professor do vilarejo, mas também é atuante na paróquia. É excelente educador, conhece, além do malgaxe, várias outras línguas: francês, latim, inglês, alemão, chinês. É músico excepcional e cantor reconhecido, tornando-se responsável pelo coro paroquial, generoso e disponível para com os necessitados. É também atleta, e é descrito como sempre sorridente e alegre.

Em 1940, o Servo de Deus se aprofunda na Regra da Ordem Terceira Franciscana, que se torna seu texto de estudo e meditação, até fazê-lo assumir tal caminho no seguimento de Cristo, com a vestição do hábito da Ordem Terceira Franciscana em 8 de dezembro de 1944. Inicia assim a levar uma vida pobre, na espiritualidade franciscana, caracterizada por profunda piedade e pelo desejo ardente de difundir o Evangelho em toda parte.

Após a Segunda Guerra Mundial, nos anos 1946-1947, cresce em Madagascar o desejo de independência da França. Em relação à região onde vive o Servo de Deus, em 1946, Tsimihoño tornara-se Rei (Mpanjaka) do Clã de Ambohimanarivo, apoiador dos grupos separatistas. Também em Vohipeno, o embate entre as duas facções opostas gera atos de violência. Em 30 de março de 1947, Domingo de Ramos, as igrejas foram incendiadas e começou a perseguição aos cristãos.

O Rei Tsimihoño, levando em conta o respeito que o povo de Vohipeno, católicos ou não, tinha pelo “professor cristão” Luciano Botovasoa, planejou capturá-lo fazendo com que voltasse ao vilarejo, ameaçando assassinar sua família, caso não obedecesse às suas ordens. O Servo de Deus, ciente do que estava prestes a acontecer, confiou ao irmão sua esposa e seus filhos, e regressou a Vohipieno. Por volta das 21 horas de 17 de abril de 1947, seu irmão André e dois primos, sob ameaça de morte, foram incumbidos de prendê-lo. Conduzido à casa do Rei Tsimihoño sem um processo oficial, foi condenado à morte. Chegando ao local da execução, ajoelhou-se e foi decapitado, enquanto rezava pelos seus assassinos. Seu corpo foi lançado ao rio.

 

 

Última modificação em Quinta, 25 Mai 2017 04:04