{"id":4172,"date":"2020-09-21T12:17:53","date_gmt":"2020-09-21T11:17:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ofmcap.org\/carta-do-ministro-geral-2\/"},"modified":"2025-06-02T11:46:10","modified_gmt":"2025-06-02T09:46:10","slug":"carta-do-ministro-geral-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ofmcap.org\/pt-pt\/carta-do-ministro-geral-2\/","title":{"rendered":"Carta do Ministro Geral"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-31554\" src=\"https:\/\/www.ofmcap.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/6c708d6c888e47baed2644b0e165e179.jpg\" alt=\"\" width=\"848\" height=\"566\" srcset=\"https:\/\/www.ofmcap.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/6c708d6c888e47baed2644b0e165e179.jpg 848w, https:\/\/www.ofmcap.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/6c708d6c888e47baed2644b0e165e179-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ofmcap.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/6c708d6c888e47baed2644b0e165e179-768x513.jpg 768w, https:\/\/www.ofmcap.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/6c708d6c888e47baed2644b0e165e179-370x247.jpg 370w, https:\/\/www.ofmcap.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/6c708d6c888e47baed2644b0e165e179-840x561.jpg 840w, https:\/\/www.ofmcap.org\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/6c708d6c888e47baed2644b0e165e179-410x274.jpg 410w\" sizes=\"(max-width: 848px) 100vw, 848px\" \/><\/p>\n<p>H\u00e1 250 anos da morte de Santo In\u00e1cio de Santhi\u00e0<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Baixar<\/strong><\/p>\n<table class=\"table-docs\">\n<tbody>\n<tr>\n<th style=\"text-align: center;\"><a style=\"margin-right: 20px;\" href=\"https:\/\/www.ofmcap.org\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Lettera_MG_Ignazio_da_Santhia_PT.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> <img decoding=\"async\" style=\"height: auto; width: 55px;\" src=\"https:\/\/www.ofmcap.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/pdf-icon.png\" alt=\"PDF\" \/> <\/a><\/th>\n<th style=\"text-align: center;\"><a style=\"margin-left: 20px;\" href=\"https:\/\/www.ofmcap.org\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Lettera_MG_Ignazio_da_Santhia_PT.docx\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> <img decoding=\"async\" style=\"height: auto; width: 55px;\" src=\"https:\/\/www.ofmcap.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/icon-word-2.png\" alt=\"Word\" \/> <\/a><\/th>\n<th style=\"text-align: center;\"><a style=\"margin-left: 20px;\" href=\"\/images\/docs\/lettere\/2020-09-22_Ignazio_da_Santhia\/Lettera_MG_Ignazio_da_Santhia_PT.mobi\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> <img decoding=\"async\" style=\"height: auto; width: 55px;\" src=\"https:\/\/www.ofmcap.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/mobi-icon-300x277.png\" alt=\"MOBI\" \/> <\/a><\/th>\n<th style=\"text-align: center;\"><a style=\"margin-left: 20px;\" href=\"\/images\/docs\/lettere\/2020-09-22_Ignazio_da_Santhia\/Lettera_MG_Ignazio_da_Santhia_PT.epub\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> <img decoding=\"async\" style=\"height: auto; width: 55px;\" src=\"https:\/\/www.ofmcap.org\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/epub-icon-300x277.png\" alt=\"EPUB\" \/> <\/a><\/th>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: center;\">A vers\u00e3o em PDF cont\u00e9m uma formata\u00e7\u00e3o especial para impress\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Carta<br \/>\ndo Ministro Geral<br \/>\nda Ordem dos Frades Menores Capuchinhos<\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\">Santo In\u00e1cio de Santhi\u00e0<br \/>\n(1686-1770)<\/h3>\n<h4><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: center;\">H\u00e1 250 anos da morte de Santo In\u00e1cio de Santhi\u00e0<\/h4>\n<p style=\"text-align: right;\">Prot. N. 00629\/20<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Aos Frades Capuchinhos da Prov\u00edncia do Piemonte,<br \/>\na todos os frades da Ordem<\/p>\n<p><em>Car\u00edssimos Irm\u00e3os,<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 22 de setembro de 1770, ao toque da meia-noite, na enfermaria dos frades capuchinhos do Monte de Turim, morria Frei In\u00e1cio de Santhi\u00e0, no s\u00e9culo: Lorenzo Maurizio Belvisotti. Quando o Guardi\u00e3o, que estava rezando \u00e0 sua cabeceira com as palavras da ora\u00e7\u00e3o lit\u00fargica, pronunciava: \u201cParte, \u00f3 alma crist\u00e3, deste mundo&#8230;\u201d, Frei In\u00e1cio obedeceu e emitiu o \u00faltimo suspiro. Deixou uma profunda lembran\u00e7a de homem, crist\u00e3o e frade que tinha evangelicamente abandonado tudo e todo afeto para poder viver em obedi\u00eancia \u00e0 vontade de Deus e para reconduzir os homens ao Senhor. Passaram-se 250 anos daquela morte santa, mas a mem\u00f3ria de Santo In\u00e1cio permanece bem viva, obviamente, entre os frades do Piemonte, mas n\u00e3o apenas entre eles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Convicto de que nos faz bem a todos n\u00f3s repercorrer, de vez em quando, os passos dos nossos irm\u00e3os santos que nos precederam, aproveitemos juntos, de bom grado, a ocasi\u00e3o deste centen\u00e1rio, para da\u00ed tirar est\u00edmulo e luz para nossa caminhada. Ajudemo-nos a fazer mem\u00f3ria ativa, segundo o convite das nossas Constitui\u00e7\u00f5es, para que \u201ccuidemos do patrim\u00f4nio espiritual de nossa Fraternidade e o desenvolvamos com amor (&#8230;), em especial no que se refere aos nossos confrades que se distinguiram pela santidade de vida, a\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica e doutrina\u201d (Const. 6,1-2).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Comecemos, assim, a recordar brevemente os passos terrenos de Santo In\u00e1cio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1.\u00a0\u00a0 \u00a0Breve perfil biogr\u00e1fico<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lorenzo Maurizio nasceu em Santhi\u00e0, prov\u00edncia de Vercelli, em 5 de junho de 1686, quarto de uma fam\u00edlia de seis filhos. \u00d3rf\u00e3o de pai aos sete anos, foi confiado pela m\u00e3e a um sacerdote que cuidasse de sua educa\u00e7\u00e3o. P\u00f4de assim adquirir uma boa forma\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, unida a uma verdadeira piedade, que o levou a amadurecer a sua resposta ao Senhor e a pedir para ser admitido no semin\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conclu\u00eddos os estudos teol\u00f3gicos, em 1710 foi ordenado sacerdote e, pouco depois, foi contratado pela aristocr\u00e1tica fam\u00edlia Avogadro de Vercelli, como preceptor de seus filhos. Logo estimado e benquisto por toda a cidade, foi-lhe concedido o t\u00edtulo de c\u00f4nego da igreja colegiada de Santhi\u00e0 e eleito p\u00e1roco da matriz de Casanova Elso. Mas isto n\u00e3o respondia ainda de modo suficiente ao desejo que crescia sempre mais vivo em seu cora\u00e7\u00e3o: n\u00e3o fazer outra coisa sen\u00e3o a vontade de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, no in\u00edcio de maio de 1716, o Ministro Provincial dos Capuchinhos de Turim se deparou com Padre Lorenzo, com trinta anos, que pedia para ser admitido \u00e0 Ordem. A Prov\u00edncia de Turim contava ent\u00e3o com um bom n\u00famero de frades e as voca\u00e7\u00f5es certamente n\u00e3o faltavam. Por isso, o Ministro Provincial quis lhe ilustrar longamente o estilo de vida dos frades, e apresentou-lhe as dificuldades que teria encontrado na vida fraterna em comum, tendo vivido at\u00e9 ent\u00e3o de maneira aut\u00f4noma. Talvez pensava em dissuadi-lo e, s\u00f3 por \u00faltimo, perguntou-lhe a raz\u00e3o do pedido de abra\u00e7ar a vida dos capuchinhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A resposta do Padre Lorenzo foi, ao inv\u00e9s, lapid\u00e1ria e veloc\u00edssima, sinal de que tinha refletido bem e que n\u00e3o se tratava nem do capricho de um momento, nem de um desejo de fugir das responsabilidades, refugiando-se no convento. Ent\u00e3o, ajoelhando-se, respondeu ao Ministro Provincial assim: \u201cAt\u00e9 agora tenho feito a minha vontade, mas, para servir realmente ao Senhor, devo fazer a sua vontade e, para faz\u00ea-la, \u00e9 necess\u00e1rio que me ponha sob obedi\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A obedi\u00eancia ser\u00e1 a partir de ent\u00e3o o seu emblema, come\u00e7ando de 24 de maio de 1716, quando, no convento de Chiari, inicia o ano de noviciado e recebe o seu novo nome: In\u00e1cio de Santhi\u00e0. Um nome que evoca o fogo \u2013 do latim <em>ignis<\/em> \u2013, e n\u00e3o pode ser diferente, como canta S\u00e3o Francisco, \u201cbelo e alegre e vigoroso e forte\u201d, e capaz ao mesmo tempo de iluminar a noite. Obedi\u00eancia e humildade se tornar\u00e3o o h\u00famus do qual se soltar\u00e3o vigorosos o fogo e a luz do j\u00e1 frade capuchinho In\u00e1cio, e o far\u00e3o resplandecer pelo grande amor pelo Senhor e pela ades\u00e3o total \u00e0 Sua vontade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao t\u00e9rmino do noviciado, Frei In\u00e1cio \u00e9 enviado a Saluzzo, como cust\u00f3dio e respons\u00e1vel pela igreja. Sucessivamente, encontra-se no noviciado em Chieri, a\u00ed enviado para ser de exemplo aos novi\u00e7os, em seguida, Turim-Monte dos Capuchinhos e, pouco depois, ainda a Chieri. Em 1727 \u00e9 chamado Turim-Monte dos Capuchinhos como prefeito da sacristia e confessor, mas, em setembro de 1731, \u00e9 transferido a Mondov\u00ec, como mestre de novi\u00e7os. A\u00ed passou 14 anos, formando n\u00e3o menos de 120 frades com a sua pedagogia simples, clara e eficaz: amar e servir como ama e serve o Senhor Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1744, Frei In\u00e1cio \u00e9 chamado de novo ao convento de Turim-Monte dos Capuchinhos para se tratar de uma estranha doen\u00e7a que improvisamente o acometera. Estranha e desconhecida aos demais frades, mas n\u00e3o a ele: o mission\u00e1rio Frei Bernardino de Vezzo, j\u00e1 seu novi\u00e7o, escrevera-lhe do Congo sobre como estava perdendo a vis\u00e3o; Frei In\u00e1cio, ent\u00e3o, pedira ao Senhor para cur\u00e1-lo, oferecendo-se em seu lugar para carregar a doen\u00e7a do confrade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sa\u00fade prec\u00e1ria n\u00e3o deteve o seu empenho em obedecer, tanto que, pouco depois de sua chegada a Turim-Monte dos Capuchinhos, mesmo sobrecarregado pela doen\u00e7a, aceitou ser inserido no grupo de capel\u00e3es militares solicitado pelo Rei Carlos Emanuel III para o servi\u00e7o de assist\u00eancia aos feridos ou apestados. Passou assim dois anos, entre Asti, Vinovo e Alexandria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na primavera de 1746, p\u00f4de regressar a Turim-Monte dos Capuchinhos, retomando o minist\u00e9rio de confessor, pregador de retiros, diretor espiritual, passando dias inteiros a escutar e dar apoio a pecadores e pobres. Ap\u00f3s 22 anos de frutuoso minist\u00e9rio, foi internado na enfermaria do convento, onde transcorreu os \u00faltimos dois anos, em humilde submiss\u00e3o aos des\u00edgnios de Deus e ao guardi\u00e3o do convento. Assim, aguardou que lhe pronunciasse as palavras da Igreja aos moribundos \u201c<strong>Parte, \u00f3 alma crist\u00e3<\/strong>&#8230;\u201d, para deixar este mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dele, S\u00e3o Paulo VI poder\u00e1 dizer no dia de sua beatifica\u00e7\u00e3o: \u201cA Igreja hoje o sa\u00fada como um religioso admir\u00e1vel sob cada aspecto da sua vida franciscana. Cada momento da sua vida franciscana e cada manifesta\u00e7\u00e3o da sua atividade apost\u00f3lica demonstram esta versatilidade para cada virtude interna e externa, que pode ser exemplar para todos\u201d (S\u00e3o Paulo VI, Homilia para a beatifica\u00e7\u00e3o, 17 de abril de 1966).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A este nosso irm\u00e3o, podemos muito bem aplicar as palavras que o Ser\u00e1fico Pai S\u00e3o Francisco p\u00f4s no fim do C\u00e2ntico das Criaturas: \u201c<em>Louvai e bendizei a meu Senhor, e dai-lhe gra\u00e7as, e servi-o com grande humildade<\/em>\u201d, pois a vida em obedi\u00eancia e humildade de Santo In\u00e1cio de Santhi\u00e0 foi uma cont\u00ednua a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as ao Senhor e de fiel servi\u00e7o aos irm\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2.\u00a0\u00a0 \u00a0Santo In\u00e1cio de Santhi\u00e0 para n\u00f3s, hoje<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os poucos e simples tra\u00e7os da vida de Santo In\u00e1cio s\u00e3o suficientes para fazer-nos intuir onde est\u00e1 a grandeza deste nosso irm\u00e3o: a busca constante em obedecer a Deus mais que a si mesmo, para isto sujeitando a pr\u00f3pria vontade ao leg\u00edtimo superior e \u00e0 fraternidade, disposto a qualquer of\u00edcio ou encargo confiado, em tudo pedindo luz com ora\u00e7\u00e3o prolongada e esfor\u00e7ando-se com humilde solicitude. Quanto este seu testemunho tem valor seguro tamb\u00e9m para n\u00f3s hoje! Se quisermos tom\u00e1-lo, poder\u00e1 infundir-nos maior vigor, mais autenticidade e alegria franciscana em testemunhar o nosso carisma na igreja e na sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, Santo In\u00e1cio nos recorda que fazer a vontade de Deus em obedi\u00eancia ao ministro e ao guardi\u00e3o \u2013 que a mesma caridade de Deus nos d\u00e1 como guias e pastores \u2013 \u00e9 fonte de enriquecimento pessoal e de verdadeira e grande liberdade. E \u00e9 exatamente o quanto dizem as nossas Constitui\u00e7\u00f5es quando, ap\u00f3s recordarem a obedi\u00eancia de Jesus ao Pai, afirmam que \u201c\u00e9 caminho de progressiva conquista da verdadeira liberdade\u201d (Const. 158,1); e acrescentam que a obedi\u00eancia \u00e9 a modalidade mais frutuosa para expressar \u201ca perfei\u00e7\u00e3o do viver sem nada de pr\u00f3prio e o fundamento da comunh\u00e3o com Deus, com a Igreja, com os irm\u00e3os, com os homens e as mulheres e com todas as criaturas\u201d (Const. 148,4).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez alguns fardos que \u00e0s vezes pesam e tornam insuport\u00e1vel, para si e para os demais, a vida de consagra\u00e7\u00e3o em fraternidade, sejam mais facilmente encarados e removidos, quando a nossa ades\u00e3o \u00e9 realmente cordial, n\u00e3o s\u00f3 de fachada, e envolve a disponibilidade interior, pronta e verificada concretamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Santo In\u00e1cio saber\u00e1 ent\u00e3o caracterizar o seu modo de viver como frade com a ora\u00e7\u00e3o ass\u00eddua e o trabalho generoso, dom\u00e9stico e apost\u00f3lico. S\u00e3o elementos essenciais que traduzem em vida o santo Evangelho e dizem como se atua o seguimento de Cristo segundo o estilo de S\u00e3o Francisco de Assis. S\u00e3o a ora\u00e7\u00e3o e o trabalho ass\u00edduos que garantem no tempo a dura\u00e7\u00e3o da verdadeira obedi\u00eancia, n\u00e3o sujeita \u00e0 instabilidade da boa vontade ou \u00e0s circunst\u00e2ncias favor\u00e1veis do momento, mas bem enraizada e confiada \u00e0 bondade divina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ora\u00e7\u00e3o e o trabalho, feitos em fraternidade, ao mesmo tempo exigem e geram gratuidade. \u00c9 obedecer n\u00e3o porque esperamos uma retribui\u00e7\u00e3o, uma promo\u00e7\u00e3o, uma restitui\u00e7\u00e3o imediata, mas simplesmente porque estamos inseridos na obedi\u00eancia origin\u00e1ria ou fontal: a de Jesus Cristo, que, \u201cencontrado em aspecto humano, humilhou-se, fazendo-se obediente at\u00e9 a morte \u2013 e morte de cruz!\u201d (Fl 2,7-8). E onde se aprende o estilo obediente de Jesus e se encontra a for\u00e7a para seguir seus passos com humilde gratuidade? O \u201clugar\u201d \u00e9, principal e propriamente, a ora\u00e7\u00e3o: lit\u00fargica, de louvor, de agradecimento, de adora\u00e7\u00e3o. S\u00e3o os tempos que a Igreja indica e doa, e aos quais livremente nos comprometemos pela nossa profiss\u00e3o, para que, ritmando o nosso dia, recordemo-nos que o nosso agir \u00e9 guardado pela e na gra\u00e7a de Deus que opera conosco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem a ora\u00e7\u00e3o, sofre detrimento certo todo nosso empenho no fazer: por um lado, parecer-nos-\u00e1 in\u00fatil nos comprometermos generosamente, pois n\u00e3o veremos resultados imediatos e concretos no n\u00edvel dos nossos esfor\u00e7os; por outro, ao inv\u00e9s, consideraremos que tudo o que fazemos seja o fruto unicamente do nosso e, \u00e0s vezes, suado trabalho! Tanto em um quanto no outro caso se exclui Deus, e a nossa vida se torna triste e infrutuosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dedicar tempo \u00e0 ora\u00e7\u00e3o, pessoal e lit\u00fargica, e ao trabalho, \u00e9 express\u00e3o do estar em obedi\u00eancia, servindo de maneira gratuita \u00e0 gl\u00f3ria de Deus e, ao mesmo tempo, a humanidade necessitada do conforto e do gesto concreto da caridade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 ainda uma outra provoca\u00e7\u00e3o que vida de Santo In\u00e1cio de Santhi\u00e0 nos lan\u00e7a e que gostaria de enfatizar: \u00e9 o senso de finitude, do homem finito ou definido por um tempo consumado, para ser reconhecido como dom do poder amoroso do Senhor. Nesta perspectiva, o ser finito n\u00e3o \u00e9 mais considerado do ponto de vista daquilo que falta, quase como um furto contra a nossa liberdade, mas se torna a pr\u00f3pria possibilidade de abertura ao infinito. O senso de finitude assim compreendido nos impulsiona \u00e0 sobriedade, valor t\u00e3o vital para o crist\u00e3o e ainda mais para o frade menor capuchinho: n\u00e3o somos n\u00f3s chamados a fazer da essencialidade das coisas o nosso estilo de vida?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aprendamos ainda algo de Santo In\u00e1cio: por que se distinguiu como o <strong>frade faz-tudo<\/strong>, isto \u00e9, dispon\u00edvel na obedi\u00eancia a qualquer servi\u00e7o que lhe era pedido pelo seu Ministro ou Guardi\u00e3o? Porque, consciente de ter recebido de Deus grandes e preciosos dons, como um bom administrador se disp\u00f4s generosamente ao servi\u00e7o do irm\u00e3o, do homem, do mundo e de toda a cria\u00e7\u00e3o. Assim, restitui \u201ctodos os bens ao Senhor Deus Alt\u00edssimo e sumo e reconhecendo que todos os bens s\u00e3o dele e dando gra\u00e7as por tudo a ele, de quem todos os bens procedem\u201d (S\u00e3o Francisco de Assis, Regra n\u00e3o bulada XVII,17).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tal restitui\u00e7\u00e3o \u00e9 de quem sabe que o administrador n\u00e3o possui os bens que lhe s\u00e3o dados, mas que lhe s\u00e3o dados para que os use de modo s\u00f3brio, isto \u00e9, o que lhe \u00e9 dado \u00e9 um dom que deve ser retornado, derramado, retransmitido. Somente com este movimento de restitui\u00e7\u00e3o, que apela \u00e0 nossa liberdade, o dom pode produzir fruto. Sobriedade, portanto, como disposi\u00e7\u00e3o virtuosa de quem n\u00e3o desperdi\u00e7a os dons recebidos, mas os restitui na obedi\u00eancia, recebendo em troca a mesma for\u00e7a criadora de Deus, que gera comunh\u00e3o com os irm\u00e3os e com toda a cria\u00e7\u00e3o: \u201cum dom que vem das m\u00e3os abertas do Pai de todos, como uma realidade iluminada pelo amor que nos chama a uma comunh\u00e3o universal\u201d (Francisco, <em>Laudato Si\u2019<\/em> 76).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para concluir<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Irm\u00e3os car\u00edssimos, Santo In\u00e1cio de Santhi\u00e0 pertence \u00e0quela verdadeira grande riqueza de nossa Ordem, que, em seus quase 500 anos de hist\u00f3ria, tem sabido gerar, nutrir e fazer crescer uma numerosa fileira de santos e bem-aventurados, que t\u00eam respondido com generosidade ao chamado de Deus e, em obedi\u00eancia e humildade, t\u00eam anunciado o amor de Deus ao homem e a toda a cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fazer mem\u00f3ria de Santo In\u00e1cio de Santhi\u00e0 hoje, h\u00e1 250 anos do seu nascimento ao c\u00e9u, torne-se para a Prov\u00edncia do Piemonte motivo de vigorosa retomada da sincera ades\u00e3o ao Senhor, partindo dos valores que o nosso santo nos ensina com a sua vida, e que s\u00e3o v\u00e1lidos para todos os tempos, particularmente hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas seja tamb\u00e9m ocasi\u00e3o para cada frade de toda parte do mundo para reencontrar e compreender, ainda uma vez, que cumprir \u201c<strong>com prontid\u00e3o a vontade de Deus, princ\u00edpio da nossa salva\u00e7\u00e3o<\/strong>\u201d (Coleta pr\u00f3pria da mem\u00f3ria) se realiza na ades\u00e3o obediente ao estilo de vida do nosso carisma, aos votos professados, \u00e0 fatigante e bela vida da fraternidade, feita de ora\u00e7\u00e3o fiel, de disponibilidade generosa, de trabalho humilde e de gestos simples, que restituem a Deus e aos irm\u00e3os o que lhes cabe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para n\u00f3s, frades capuchinhos, e para todos os homens, invoquemos e pe\u00e7amos que \u201c<strong>o vosso amor, \u00f3 Senhor, reine em cada homem e em toda a cria\u00e7\u00e3o<\/strong>\u201d.<\/p>\n<p>Roma, 22 de setembro de 2020.<em><br \/>\nMem\u00f3ria de Santo In\u00e1cio de Santhi\u00e0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Fr. Roberto Genuin \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<em><br \/>\nMinistro Geral OFMCap.<br \/>\n<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 250 anos da morte de Santo In\u00e1cio de Santhi\u00e0<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":31554,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[971],"tags":[926],"class_list":["post-4172","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cartas-do-ministro-geral","tag-home_module_1-pt-pt"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.6 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Carta do Ministro Geral - Frati Minori Cappuccini<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.ofmcap.org\/pt-pt\/carta-do-ministro-geral-2\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_PT\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Carta do Ministro Geral - 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