PROPOSITIONES
VI CONSELHO PLENÁRIO
DA ORDEM
Viver a pobreza em Fraternidade
Assis, 1998
APRESENTAÇÃO
Roma, 4 de outubro de 1998
Solenidade de São Francisco
Prot. 00958/98
A todos os Frades da Ordem
Estimados confrades,
é com alegria que lhes apresentamos
as conclusões que o VI Conselho Plenário da Ordem,
celebrado em Assis, de 7 de setembro a 1º de outubro
deste ano de 1998, elaborou e formulou sobre o tema
Viver a pobreza em fraternidade.
Há dois anos e meio, anunciamos à Ordem nossa intenção
de celebrar um Conselho Plenário que tratasse sobre
a pobreza evangélica na sua dimensão comunitária e
institucional. Durante todo este tempo, a fraternidade
da Ordem se dedicou na preparação deste importante
evento realizado em Assis, no qual participaram com
o Ministro geral e seu Definitório 31 Delegados das
Conferências, provenientes dos cinco continentes.
Publicando agora o resultado do trabalho, estamos
certos, irmãos, de oferecer-lhes um válido instrumento
que, somado com a experiência dos dias vividos fraternalmente
durante o Conselho Plenário, constitui a expressão
da união vital entre toda a fraternidade da Ordem
e o governo central. Como sugerem as Constituições
(cf. 123,1), isto servirá para promover a consciência
da mútua responsabilidade e da cooperação de todos
os frades e fomentará a união e a comunhão da Ordem
na pluriformidade. Ao mesmo tempo, com o consenso
do Definitório geral, confirmamos o resultado das
reflexões do VI Conselho Plenário, de forma que estas
não percam o seu valor como norma diretiva para toda
a Ordem (cf. Const. 123,6).
De nossa parte, decidimos estudar o texto durante
a reunião que o Definitório realizará no próximo mês
de janeiro, para ver os pontos que podem ter aplicação
imediata e outros que eventualmente exigiriam ser
tratados no capítulo geral. Em todo o caso, é nossa
intenção aceitar tudo o que a reflexão deste Conselho
Plenário nos ofereceu e que pode favorecer ao processo
de uma adequada renovação da Ordem.
Queremos fazer um aceno à opção metodológica que orientou
o trabalho da assembléia. Como vocês podem ver pelo
texto, o Conselho Plenário decidiu adotar o método
das propositiones, ao invés de elaborar um documento
no estilo dos Conselhos Plenários anteriores. As propositiones
não têm como fim desenvolver e aprofundar um tema
do ponto de vista doutrinal. Os elementos doutrinais,
mesmo presentes, estão mais em função de uma proposta,
cuja finalidade é sobretudo operativa. O método das
propositiones permitiu a participação e intenso intercâmbio
entre os participantes; assim tal método possibilitou
reconhecer, avaliar e acolher com atenção e respeito
a nossa rica diversidade cultural e nos orientou no
caminho para atingir um consenso surpreendente e amplo
sobre os vários e talvez diferentes pontos de vista
dos frades.
O presente texto foi revisto por uma pequena comissão
de redação, segundo as indicações dadas pelo Conselho
Plenário. Esta, sempre em conformidade com as sugestões
dos frades, fez uma revisão estilística e literária
das propositiones. Além disso, seguindo a opinião
majoritária do Conselho, consideramos conveniente
colocar títulos que, embora não fazendo parte da substância
do texto, ajudam sua compreensão.
Enfim, recomendamos intensamente aos Superiores maiores
e aos guardiães, como primeiros responsáveis pela
formação dos frades (cf. Const. 23,6), divulgar, estudar
e, naquilo que é de sua competência e autoridade,
aplicar concretamente os critérios propostos por este
Conselho plenário para viver a pobreza evangélica
em fraternidade.
O Espírito do Senhor inspire a todos os frades um
renovado amor por nossa Senhora, a Santa Pobreza e
nos ajude a conservá-la com a sua santa operação.
O Ministro geral e seu Definitório
Fr. John Corriveau
Fr. Ermanno Ponzalli
Fr. Aurelio Laita
Fr. Andrew Anil Sequeira
Fr. Tadeusz Bergiel
Fr. Paul Hinder
Fr. William Wiethorn
Fr. Andrés Stanovnik
Fr. Thaddaeus Ruwa’ichi
VI CONSELHO PLENÁRIO DA ORDEM:
Viver a pobreza em fraternidade
Assis, 1998
PROPOSITIONES
POBREZA EVANGÉLICA E MINORIDADE EM NOSSO TEMPO
1. Fundamento e modelo da nossa pobreza
evangélica é Jesus, o Verbo de Deus que “despojou-se
de si mesmo (kenosis), assumindo a condição de servo
... e fazendo-se obediente até a morte de cruz” (Fil
2,7). Nós, no seu seguimento, escolhemos voluntariamente
a pobreza. Uma pobreza pelo Reino, livre e alegre;
ela não é fim em si mesma, mas conforme à de Jesus
que, “sendo rico fez-se pobre para nos tornar ricos
por sua pobreza” (2 Cor 8,9; cf. Const. 59,1), nos
torna disponíveis a Deus e aos irmãos.
2. A intentio fundamental de São
Francisco foi “observar o santo evangelho de nosso
Senhor Jesus Cristo” (Rb 1,1). Ele viu na encarnação
e na cruz o modelo de sua atitude radical: “não reter
nada para si” (cf. Carta a toda Ordem 29). Isto significa,
em primeiro lugar, reconhecer que todo o bem que existe
em nós e que se realiza através de nós é dom de Deus
e, portanto, devemos restituí-lo a Ele no louvor e
na ação de graças. O segundo componente deste desalojamento
radical é mais doloroso: devemos ser “firmemente convictos
de que nada nos pertence senão nossos vícios e pecados”
(Rnb 17,7). A isto, Francisco acrescenta ainda um
terceiro elemento, também este exigente: “regozijemo-nos
quando cairmos em diversas provas e sofrermos qualquer
angústia de alma ou de corpo” (Rnb 17,8) e “gloriemo-nos
em nossas enfermidades e no levar às costas cada dia
a santa cruz de nosso Senhor Jesus Cristo” (Adm. 5,8).
3. O ideal evangélico da pobreza
comporta para Francisco uma opção pela minoridade.
Ser menor é a manifestação de autêntica pobreza interior,
que no projeto franciscano de vida se exprime também
exteriormente; é humildade de coração e ausência de
poder (cf. Adm 2,3; 3; 4; 6,4; etc); é solidariedade
com aqueles que estão em necessidade e em privação.
Duas conseqüências da pobreza evangélica que no projeto
franciscano de vida assumem particular força são:
a pobreza manifestada externamente e a vontade de
viver em solidariedade
Sem a minoridade a nossa pobreza não teria sentido
e se tornaria orgulho; assim como sem a pobreza, a
minoridade seria falsa.
Por outro lado, pobreza e minoridade não são para
são Francisco o fim, mas nos ajudam a realizar o “carisma
maior” (cf. 1 Cor 12,31), a caridade, que se exprime
na fraternidade franciscana no trato com os homens
e com a criação.
Foi esta vida de fraternidade evangélica, vivida em
pobreza e minoridade que atraiu para Francisco pessoas
de todas as condições sociais, tornando-as eficazmente
sensíveis aos mais necessitados.
4. De Francisco nasceu “uma Ordem
de irmãos” (cf. 1 Cel, 38). Toda a nossa espiritualidade
e tradição deu realce à pobreza, vendo-a especialmente
sob o aspecto ascético e individual; sem esquecer,
evidentemente, o comunitário e fraterno (cf. especialmente:
1 CPO 46-61; IV CPO 43-45; V CPO 29-40. 55; Const.
59-74). Todavia, o renovado sentido de fraternidade,
a difusão da Ordem em todo o mundo e os novos problemas
da nossa sociedade nos convidam a reconsiderar e a
aprofundar o significado da “nossa pobreza evangélica
em fraternidade”, ou seja, do ponto de vista comunitário,
institucional e estrutural.
5. Dentro do movimento franciscano
os capuchinhos colocaram em maior evidência a austera
simplicidade no modo de viver a pobreza e a inserção
no meio do povo no praticar a minoridade (pregação
popular, assistência aos doentes e empestados, esmola
...). Tais valores, vividos em fraternidade, renovados
e inculturados, possuem grande força de testemunho
evangélico e de impulso à promoção dos mais fracos.
6. Para Francisco a avidez e a avareza
rompem as relações com Deus enquanto a ambição e a
concorrência prejudicam o sentido de fraternidade
entre as pessoas. Para poder viver plenamente o ideal
evangélico de amor e de fraternidade, ele adotou uma
forma de vida, com seus primeiros companheiros, que
implicava corajosas decisões de pobreza, o não uso
do dinheiro, a não apropriação de bens, o trabalho
manual como meio de sustento e de exemplo aos outros
e, por fim, a esmola no caso de real necessidade.
Em tempos recentes e por exigências dos novos contextos,
Paulo VI (Declaração de 4 de março de 1970) suprimiu
todas as declarações pontifícias que por sete séculos
tinham interpretado a prática da pobreza na Ordem,
exceto as contidas no Direito Canônico e nas Constituições.
Por isso ele declarou que os franciscanos não eram
mais vinculados às decisões econômicas de Francisco
e dos seus primeiros companheiros.
Todavia estamos ainda ligados à fidelidade em confronto
com as intenções profundas de Francisco. Portanto
devemos buscar modos para viver algumas opções fundamentais
do franciscanismo como: austeridade de vida e dedicação
no trabalho; solidariedade e mútua dependência; vida
fundada na experiência do povo, especialmente dos
pobres; justo uso e administração dos bens e das propriedades;
compromisso a favor do desenvolvimento “sustentável”.
7. Diante do mundo “globalizado”
da economia, que faz sentir também sobre nós os seus
influxos reafirmamos humildemente e com fé o valor
da pobreza evangélica como válida alternativa para
o nosso tempo segundo a inspiração originária de Francisco
e as linhas mestras da tradição franciscano-capuchinha.
Por isso, acolhamos como opção de família a pobreza
evangélica, comprometendo-nos repensá-la novamente.
Como reagir, por exemplo, frente aos influxos do mundo
globalizado? Antes de tudo será necessário conhecer
os mecanismos desta nova “ordem” econômica, compreendê-los
e avaliá-los criticamente, tendo especialmente presente
a problemática moral subjacente no mundo da economia.
Depois deveremos viver e testemunhar a nossa forma
de vida evangélica que, apesar da sua debilidade,
com seus valores de simplicidade, gratuidade, vontade
de servir, respeito pela pessoa e pelo criado deseja
propor-se como modo mais humano e mais verdadeiro
frente ao sistema econômico vigente. Recordemo-nos
de que neste compromisso não estamos sós, mas caminham
conosco tantos homens e mulheres de boa vontade que,
de maneiras diversas, trabalham em favor do bem, da
justiça e da paz.
8. Para não nos encontrarmos despreparados
frente aos desafios do mundo atual, durante o período
da formação inicial prevejam-se cursos adequados para
o conhecimento das realidades econômico-sociais e
experiências de trabalho (voluntariado, serviço aos
pobres, etc.) também indicado pelo IV CPO (cf. 51).
Dever-se-ão ter presentes especialmente os aspectos
antropológicos e éticos que estão implicados na problemática
econômica. Também a formação permanente deveria encontrar
no aprofundamento desta temática um dos seus principais
compromissos.
FRADES ENTRE OS POBRES E PLURIFORMIDADE
9. Reafirmamos com toda a Igreja
a nossa opção preferencial pelos pobres que não é
segundo o discernimento de cada frade mas que nos
interpela como fraternidade e deve manifestar-se visivelmente:
vivendo com os pobres para assumir quanto de válido
existe na forma de crer, de amar e de esperar, servindo-os
preferivelmente com as nossas mãos; partilhando com
eles o pão e defendendo os seus direitos. Ser pobres
com os pobres, irmanar-se com eles, faz parte integrante
do nosso carisma franciscano e da nossa tradição de
“frades do povo”.
São Francisco afirma no Testamento que o seu itinerário
de conversão teve uma virada decisiva quando o Senhor
o conduziu em meio aos leprosos. Então ele, saindo
“do século”, mudou a condição social e morada, migrando
do centro para a periferia de Rivotorto e Santa Maria
dos Anjos. As nossas Constituições e os CPOs de Quito
e de Garibaldi encorajam a inserção entre os pobres
de algumas fraternidades nossas, embora não esquecendo
as dimensões contemplativa e fraterna que se exprimem
visivelmente na vida em comum. “São dignos de louvor
os que, vivendo com os pobres, segundo as condições
próprias de cada uma das regiões, participam de situações
e aspirações deles” (Const. 60,6; cf. 12,2-4;100,
3; 104,1; V CPO 25,1). Cremos que a solidariedade
com os marginalizados seja uma das respostas privilegiadas
contra as injustiças do nosso tempo.
10. Reconhecemos que a proximidade
à cultura dos pobres nos enriquece do ponto de vista
humano e é necessário instrumento hermenêutico para
atingir o coração da nossa herança franciscana. Propomos,
portanto, que cada Circunscrição da Ordem elabore
e realize planos para estabelecer e verificar a nossa
humilde presença entre os pobres, de modo que, participando
intimamente de sua cultura, nos tornemos membros reconhecidos
desta sociedade e possamos promover integralmente
o seu desenvolvimento. Estes planos deveriam incluir
critérios de seleção dos candidatos às fraternidades
de inserção e um projeto formativo para estes frades
e, além disso, assegurar o efetivo apoio das Circunscrições
e a condições para a partilha fraterna das experiências.
11. Francisco encarnou a radicalidade
evangélica e destacou com o seu estilo inconfundível
que viver e anunciar o evangelho significa nudus nudum
Christum sequi. Para ele é fundamental abandonar-se
a Deus com total confiança. Por isso ele insiste que
os seus frades andem pelo mundo sem levar nada, como
ovelhas em meio aos lobos e confiando o anúncio evangélico,
antes de tudo, ao testemunho diário de uma vida de
frades menores. Este modo de ser e de viver, sem poder
e totalmente indefesos, não é para Francisco uma modalidade,
uma condição para a evangelização, mas é já em si
mesmo evangelização. A nossa história de Capuchinhos
nos encoraja a retomar e atualizar esta forma imediata
de presença evangélica no meio de todas as classes,
com especial predileção pela simples e pobre. Conseqüentemente,
devemos nos esforçar para utilizar modelos de evangelização
menos ligados à força e à segurança que derivam da
quantidade e riqueza dos meios, tornando-nos disponíveis
em deixar-nos ensinar pelos pobres e a depositar a
própria confiança somente em Deus.
12. Este Conselho Plenário da Ordem
destaca que também a pobreza, elemento essencial da
nossa vida, deve ser vivida à luz das Constituições
no que se refere à unidade e a pluriformidade da nossa
vocação franciscana. De um lado a unidade é uma referência
à fraternidade e ao princípio que “por motivo da mesma
vocação todos os frades são iguais” (Const. 84,3).
E por outro, os contextos são diferentes. Portanto,
sem uma equilibrada inculturação jamais será possível
uma verdadeira pluriformidade, nem uma autêntica evangelização.
A inculturação da pobreza deve chegar até o habitat,
aos edifícios, ao teor de vida, aos meios pobres no
apostolado, em nosso modo externo de nos apresentar.
Os critérios que devem guiar a inculturação pluriforme
são:
- a fidelidade criativa da fraternidade ao único espírito
que anima a Ordem e que fala também nas diversas Circunscrições
e nos sinais dos tempos;
- a comunhão fraterna e a obediência aos superiores,
centro de unidade do carisma (Const. 5,5);
- a aceitação alegre de sermos diferentes, mas em
comunhão;
- a disponibilidade para partilhar aquilo que nos
pertence.
13. A norma das Constituições “o
mínimo necessário e não o máximo permitido” (67,3)
pode ser aplicada significativamente apenas no contexto
das sociedades em que os frades vivem. Portanto, sugerimos
que os frades em cada Circunscrição apliquem esta
norma nas suas circunstâncias específicas. Com a prática
do controle do orçamento e dos limites de gastos,
as comunidades locais e a fraternidade provincial
podem equilibrar o uso dos seus recursos e dar um
exemplo apropriado de moderação e também de austeridade.
FONTES DE SUSTENTO: TRABALHO E ESMOLA
14. O trabalho contribui para aperfeiçoar
a obra da criação e beneficia a sociedade, unifica
a comunidade e realiza a pessoa. A pobreza evangélica,
como seguimento de Jesus Cristo, restabelece a dignidade
do trabalho num mundo que o reduziu a um simples bem
econômico. Para nós franciscanos, além de parte primária
de sustento, o trabalho é uma forma de solidariedade
entre nós mesmos e com o povo.
Pretendemos aqui evidenciar alguns aspectos: que o
trabalho promova a valorização do indivíduo e venha
ao encontro das necessidades da comunidade; que sejam
dadas iguais oportunidades de formação aos frades;
que se tenha consciência crítica das dinâmicas presentes
no mundo do trabalho.
15. A tradição franciscana sempre
viu o trabalho como graça e por isso qualquer atividade
pode ser exercida por um frade, desde que honesta
e de acordo com nosso estado de menores (cf. Test.
20; Rnb 7,9; IV CPO 49). Sabemos que a realidade do
trabalho é relativa às condições econômicas dos vários
períodos históricos e dos diversos contextos geográficos.
Com tal variedade, devemos apreciar todas as atividades:
apostólicas, caritativas, intelectuais e manuais.
A Ordem sempre valorizou a atividade apostólica compreendida
seja como ação sacramental, seja como evangelização
de múltiplas formas. É este um tipo de trabalho ao
qual é necessário dar espaço e dignidade. Além disso
queremos destacar aqui a dignidade e a utilidade também
do trabalho manual; a necessidade, no atual contexto,
de uma profissão específica para determinadas atividades,
com igual oportunidade acessível tanto aos frades
clérigos quanto aos frades leigos. Para manter vivo
em nós o sentido do dom e da gratuidade, em cada comunidade
haja um justo equilíbrio entre atividades remuneradas,
necessárias ao sustento da comunidade e atividades
gratuitas, sempre convictos de que o frade jamais
deve ser avaliado pelo trabalho que realiza e o dinheiro
que recebe. À base da escolha de uma atividade individual
haja sempre uma partilha ou discernimento comunitário
(cf. Const. 76, 2; 77,4), para evitar que o trabalho
de um frade se torne uma propriedade privada e gere
uma inamovibilidade e fechamento diante das necessidades
da fraternidade local e provincial.
16. O trabalho doméstico é importante
pois “quem não participa dos trabalhos domésticos
enfraquece a fraternidade” (IV CPO, 19). A eficaz
colaboração de todos os frades na vida ordinária da
fraternidade - verificada no capítulo local - é útil
para fazer crescer o sentido da fraternidade, da igualdade
e da recíproca depen-dência ou ajuda. O trabalho doméstico
nos coloca no mesmo estilo de vida das pessoas comuns.
Não se configura, entretanto, como trabalho manual
somente: nas comunidades modernas, as tarefas, de
fato, vão desde o jardim ao computador e cada frade
pode colocar à disposição suas habilidades práticas
ou intelectuais.
Em alguns áreas da Ordem freqüentemente são contratadas
pessoas leigas para as atividades de nossas casas
por causa da ancianidade, da diminuição ou dos múltiplos
trabalhos dos frades, sobretudo quando as casas são
muito grandes. É possível recorrer a tais admissões,
desde que feitas de acordo com as leis trabalhistas;
mas é necessário evitar que sejam soluções habituais,
que possam gerar em nós uma mentalidade de patrões.
17. Vivemos em uma sociedade que
avança sempre mais veloz frente aos infindáveis compromissos,
de vencimentos e dos modernos meios de comunicação.
As nossas fraternidades não fogem da regra, por isso,
além do risco da ociosidade, devem evitar o do ativismo
excessivo, mesmo de tipo apostólico. Frente a esta
tendência, é necessário estarmos atentos para que
o ativismo não termine por causar danos à vida fraterna,
eliminando os espaços da reflexão, do estudo, da partilha
com os frades da comunidade e, sobretudo, não comprometa
a nossa “oração e devoção”, tirando, de tal modo,
a harmonia de viver. A super valorização da atividade
pode induzir-nos a uma confiança excessiva no agir
e a um protagonismo pessoal, quase dando a entender
que o Reino de Deus não seja obra do Espírito, como
se a escuta, o acolhimento e o silêncio diante de
Deus não servissem para nada.
18. O trabalho “extra conventual”
ou junto a estranhos, de natureza mesmo profana, praticado
em nossa história antiga e moderna, teve em tempos
recentes um lugar de destaque na experiência das “pequenas
fraternidades” ou das “fraternidades de trabalho”.
O fenômeno era motivado pela ânsia de inserção ou
encarnação no mundo do trabalho, especialmente como
assalariados, em condição operária. Hoje as condições
de trabalho mudaram: existe a redução de emprego,
a condição operária não é mais um referente privilegiado
como podia ser para as “pequenas fraternidades”; no
entanto a instância que as movia pode justificar também
hoje uma opção trabalhista de assalariados, talvez
não em fábrica, mas em ocupações humildes, de fadigas
e de dependência. É a nossa participação na condição
de vida de grande parte da humanidade; é testemunho
evangélico para os outros e tem um valor educativo
para nós. Porém, fica sempre determinante a fraternidade
(Const. 77,3; 79, 1-2) como lugar de vida, como ocasião
de confronto e de apoio.
19. A qualidade dos compromissos
e o profissionalismo que se exige atualmente, para
aplicar-se a algumas atividades, dão à nossa Ordem
uma maior estabilidade de tarefas e de presenças que
corre o risco porém de transforma-se em imobilidade.
Para evitar a perda do sentido da itinerância neste
mundo como “peregrinos e forasteiros” (cf. Rb 6,2;
Test. 24) faça-se freqüentemente um confronto sereno
em âmbito comunitário e com os superiores, para avaliar
de vez em quando a nossa disponibilidade em mudar
ou permanecer, de acordo com o bem da mesma comu-nidade
e do povo de Deus referente aos quais temos responsabilidade.
20. A esmola teve um papel importante
na vida de são Francisco e dos seus frades até os
nossos dias: manifestava que eles dependiam do povo
com o qual viviam, instaurava relações mais estreitas
com as pessoas e, por isso, foi sempre um meio de
inserção comprometida com o povo e um eficaz instrumento
de evangelização. Hoje emergem novas formas de esmola
(departamentos missionários, fundações, pias uniões,
boletins, calendários, etc.). No entanto permanece
o compromisso de encontrar novas modalidades de contato
direto e personalizado com as pessoas e de desenvolver
um apostolado humilde e quase porta a porta com todos
as classes de pessoas, tanto os pobres quanto os ricos.
É preciso atualizar novamente os valores que estão
atrás de tudo isso: a confiança na Providência de
Deus, o sentido de dependência e de reciprocidade
entre nós e o povo. O povo dá a nós para que nós repassemos
aos pobres; e nós devemos receber a esmola para fazer
esmola.
No que se refere ao recolhimento para fundos, propomos
que sejam sujeitos à autorização do Ministro provincial
e seu Definitório e acompanhados com atenção pelos
mesmos. Os fins para os quais se formam fundos devem
ser apresentados clara e publicamente. Deve ser apresentado
anualmente um relatório econômico apropriado ao Ministro
provincial e seu Definitório. De fato, o controle
e o destino do dinheiro recolhido não pode ser confiado
a nenhum frade em particular .
SOLIDARIEDADE E PARTILHA
21. A partilha dos dons entre as
várias igrejas locais é uma das dimensões necessárias
da catolicidade (LG 13). Para são Francisco a partilha
dos bens vai além da obrigação jurídica e entra na
esfera do amor recíproco “porque se a mãe nutre e
ama seu filho carnal (cf. 1 Tess. 2,7) quanto mais
diligentemente um deve amar e nutrir o seu irmão espiritual
?” (cf. Rb 6, 8). A encíclica Sollicitudo rei socialis
define a virtude moral da solidariedade como “uma
firme e constante determinação em aplicar-se ao bem
comum, ou seja, ao bem de todos e de cada indivíduo
porque todos nós somos responsáveis por tudo” (SRS
38). São Francisco reforça esta definição de solidariedade
anunciando uma fraternidade na qual não existe a vergonha
de uns serem dependentes dos outros (cf. Rnb 9, 6-7).
Francisco, de fato, afirma claramente que a dependência
é uma conseqüência da criação e redenção e, portanto,
é um direito (cf. Rnb 9, 8). Além do mais, a interdependência
exige o dom teologal do amor que enriquece quem doa
e quem recebe do mesmo modo (cf. Rnb 9,9). A comunhão
fraterna e a interdependência devem inspirar e definir
as nossas estruturas de solidariedade entre as fraternidades
locais, provinciais e internacionais assim como a
nossa interação com o mundo e particularmente com
o mundo dos pobres.
22. Antes de mais nada a solidariedade
não consiste em dar coisas aos outros, mas é interdependência
recíproca e expressão de fraternidade. A cultura da
solidariedade cria novos modos de entender e de viver
os relacionamentos com os outros. Francisco, em meio
aos leprosos, mudou o seu modo de relacionar-se com
eles. Para sermos solidários, devemos cuidar de cada
irmão, sobretudo daqueles que são excluídos da partilha
dos bens da sociedade; ouvindo o grito dos pobres,
devemos agir para que a solidariedade global se torne
uma nova ordem social.
23. Nas diversas formas de solidariedade
ad extra se inclui a atenção à família de origem dos
frades; segundo a indicação de Francisco deve-se respeitar
a mãe de um frade como a sua própria. Parece útil,
sugerir que não cada frade, mas a fraternidade cumpra
estas decisões de solidariedade, tendo presente, no
confronto comunitário, também o convite evangélico
a transfigurar os laços de carne e de sangue para
poder viver em plenitude a pertença à fraternidade
capuchinha e a abertura aos necessitados desprotegidos.
24. No passado, a solidariedade internacional
na Ordem era eficazmente baseada na relação Província-missão.
As transformações ativas na Ordem exigem uma revisão
profunda para que se possa continuar a viver a solidariedade
segundo o espírito de são Francisco. Para esta finalidade
apresentamos as seguintes propostas:
a) Porque somos uma Ordem de irmãos, a solidariedade
deve passar de uma fraternidade a outra e não somente
de um indivíduo a outro indivíduo.
b) Porque a pobreza evangélica nos insere em uma determinada
cultura e nos liga a um determinado povo, a solidariedade
internacional não deve desenraizar, nem comprometer
os nossos laços culturais.
c) Sendo a nossa uma fraternidade presente em muitas
culturas, deveremos buscar a eqüidade mais que a igualdade.
A eqüidade exige que cada Província tenha a capacidade
de responder às necessidades dos frades e dos ministérios
na medida dos mesmos contextos de cultura e povo.
Não pretendemos estabelecer um estilo de vida capuchinho
igual para todo o mundo, todavia é necessário que
todos os frades de todo o mundo, libertados da miséria,
vivam uma condição aceitável de vida.
d) O princípio de subsidiariedade requer que nenhuma
Província tenha o direito de pedir a outras aquilo
que pode ser providenciado através do trabalho dos
frades e da esmola da própria gente.
e) A solidariedade franciscana vai além do direito
e da justiça. Brota da generosidade do amor fraterno.
f) Uma solidariedade eficaz requer transparência por
parte de quem doa e de quem recebe.
g) As estruturas atuais de solidariedade entre as
Circunscrições da Ordem não parecem responder adequadamente
à nossa condição de frades pertencentes à mesma família.
Portanto, o próximo Capítulo geral articule de maneira
essencial e funcional uma nova estrutura estável de
solidariedade entre as Circunscrições e as Conferências,
na relação entre elas e com toda a Ordem; tendo presente
o que dizem as Constituições: “as fraternidades entreguem
os bens não necessários aos Superiores maiores para
as necessidades das Circunscrições, ou aos pobres,
ou para o progresso dos povos” (Const. 67,4). Um eventual
grau maior de centralização deverá levar em consideração
as relações fraternas existentes historicamente entre
as circunscrições.
h) Porque somos membros de uma única
família, as Comissões de Solidariedade da nossa Ordem
deveriam incluir não somente representantes das províncias
que doam mas também das que recebem.
25. A nossa solidariedade para com
os abandonados e excluídos se exprime ainda por meio
de estruturas/obras sociais e caritativas. Sejam administradas
conforme as leis e, o quanto possível, sejam administradas
com a colaboração, em vários níveis, por pessoas leigas
competentes e formadas nos valores da solidariedade.
Nosso papel específico e privilegiado permanece a
animação em nível humano e espiritual (cf. Const.
71,9).
26. Francisco, com gratidão filial,
canta a reconciliação do criado e a compaixão para
com todas as criaturas (cf. Carta circular 12). Com
tal espírito, os frades se comprometam com a paz,
a justiça e a integridade do criado usando com parcimônia
os recursos da “mãe terra” e tomando cuidado, com
senso de responsabilidade fraterna, dos marginalizados
(V CPO, 65), daqueles que não têm voz e das gerações
futuras. Tais decisões se exprimem não somente animando
e participando, de modo crítico, em movimentos de
solidariedade e de ecologia, porém, ainda mais, vivendo
de modo sóbrio, contentes com o pouco e não cegamente
dominados pela sociedade de consumo.
27. O ser solidário deve promover
a cultura da participação que consiste no interessar-se
e no caminhar juntos. Para tais motivações, os frades
promovam o compromisso de solidariedade fraterna com
todos os homens de boa vontade e, particularmente,
com as Irmãs da segunda Ordem e com os irmãos e as
irmãs da Ordem franciscana secular; além disto, contribuam
com o desenvolvimento dos movimentos como o ecumenismo
franciscano e eclesiástico, o diálogo interreligioso
e inter-racial, os encontros entre Norte e Sul, etc.
28. A solidariedade franciscana é
uma realidade ampla, inclui a responsabilidade para
com todo homem e o respeito pela integridade de toda
a criação. Somos irmãos de todos os povos e de todas
as criaturas (V CPO, 28). Uma solidariedade global
é hoje ainda mais urgente porque as forças do mercado
da economia global dão um diferente e trágico significado
às palavras de Jesus: “a quem tem mais será acrescentado;
a quem tem menos, lhe será tirado” (Mt 13,12). Tendo
presente o exemplo de Francisco que não podia suportar
ver uma pessoa que fosse mais pobre que ele, devemos
nos empenhar em escutar o grito dos pobres que são
excluídos da partilha dos bens da economia global.
CRITÉRIOS PARA UMA ADMINISTRAÇÃO
FRATERNA E TRANSPARENTE
29. Francisco permitiu o recorrer
a meios extraordinários para a real necessidade dos
doentes (cf. Rnb 8, 3) e dos leprosos (cf. Rnb 8,10).
Hoje temos outras situações de “manifesta necessidade”
- observar sempre atentamente - e que requerem o recurso
a meios extraordinários, como as reservas financeiras/investimentos.
Portanto:
- as reservas financeiras/investimentos podem cobrir
somente as situações de “ma-nifesta necessidade” que
nem o nosso trabalho, nem a esmola, nem a solidariedade
interprovincial conseguem satisfazer;
- as carências que pedem altos investimentos, os valores
sejam determinados claramente e a renda auferida deve
ter a destinação exclusiva àquelas mesmas necessidades;
- ao invés de determinar a soma mínima para investir
em ter uma certa segurança, uma fraternidade franciscana
deve estabelecer um limite máximo de investimento
para ser sempre coerente com a nossa confiança na
providência humana e divina;
- todo investimento, seja sob a forma de bens imóveis
ou em dinheiro, seja em transações financeiras, deve
ser regulado e submetido ao juízo das normas éticas.
Para tal fim, pode revelar-se válido e necessário
o intercâmbio com outras organizações cristãs e religiosas
que atuam em regiões especiais;
- pelo fato de sermos uma Ordem internacional, as
nossas fraternidades estão presentes num amplo leque
de situações econômicas e sociais. Isto exige respostas
pluriformes. Todavia, pode ser oportuno definir os
critérios nacionais ou continentais que regulem a
questão das reservas financeiras/investimentos.
30. A vida fraterna exige transparência
também nas administrações locais, provinciais e da
Ordem. Esta transparência se inicia com o frade individualmente,
continua na fraternidade local e se completa na Circunscrição
à qual pertence a fraternidade.
A transparência expressa e facilita a fraternidade
e a solidariedade entre todos os membros da Ordem.
31. Os capítulos locais são o momento
privilegiado para preparar os orçamentos da fraternidade
e verificar o modo de empregar o dinheiro. Também
a nossa economia, de fato, deve ser expressão de fraternidade
e no capítulo local encontra o lugar adequado para
confrontar-se com outros valores, como a evangelização,
a minoridade, etc.
32. Para alcançar a transparência
nas várias administrações é necessário que em cada
relatório contábil anual da fraternidade, da Circunscrição
e da Ordem se indique:
a) a situação patrimonial ou balanço;
b) o registro das receitas e despesas ou relatório
administrativo com movimentação financeira;
c) o orçamento anual.
Para se formular corretamente os
orçamentos é indispensável um modelo de contabilidade
(plano de contas) bem estruturado.
33. A fraternidade local pode ter
capital investido somente a curto prazo (liquidez).
O capital à sua disposição refere-se ao necessário
para uma administração ordinária da comunidade. O
Superior maior com o seu Definitório estabeleça o
teto máximo que cada fraternidade pode administrar
(cf. Const. 73,2). Para este fim, as circunscrições
elaborem modelos ou formulários apropriados e estudem
a oportunidade de uma administração financeira centralizada
na província.
34. A transparência é necessária
também para as entidades provinciais administradas
separadamente: missões, atividades pastorais, obras
sociais e fundos diversos. O órgão de decisão e de
controle permanece sempre o Superior maior com seu
conselho. O controle administrativo poderá ser confiado
pelo Superior a pessoas ou a outros órgãos competentes
em nível financeiro, compostos seja por religiosos,
seja por leigos.
35. No relatório administrativo de
cada Circunscrição devem constar os investimentos
financeiros destinados ao serviço da província, ou
para outras obras. No que se refere ao balanço deve
aparecer também o valor comercial dos imóveis, isto
é, que não servem para uma gestão ordinária da Circunscrição
(por ex. terrenos, construções não utilizadas, casas
alugadas, etc.).
36. Considerando os critérios de
solidariedade estabelecidos neste CPO, cada Circunscrição,
após haver escutado a própria Conferência e observando
nossas Constituições (cf. 67,7; 73,1), o Definitório
ou eventualmente o Capítulo, decida quanto é necessário
para a própria gestão ordinária e quanto devem guardar
como reservas/investimentos para despesas extraordinárias
ad intra (manutenção dos imóveis, doentes, direitos
sociais do pessoal, formação) e para a solidariedade
ad extra (missões e caridade).
37. Em mérito aos investimentos,
além da transparência, é necessário que nos atenhamos
aos princípios éticos. Com referência às Constituições
(cf. 66,3) julgamos aceitáveis as formas de investimento
hoje em uso na sociedade civil. Porém, existem condições
que devemos respeitar:
a) Avaliar os efeitos, positivos
ou negativos, de todo investimento (respon-sabilidade
ética), promovendo no limite do possível investimento
em consonância com a justiça.
b) Evitar os investimentos unicamente especulativos.
c) O quanto possível, fazer tais investimentos na
própria área sócio-econômica ou em países mais pobres.
Neste contexto é importante que
cada Circunscrição compare o próprio modo de agir
com as práticas adotadas por outras Circunscrições
e com as leis financeiras e de controle dos respectivos
países. As operações de investimento não podem ser
de competência de cada pessoa, mas devem ser aprovadas
pelos Superiores maiores e podem usufruir do parecer
de pessoas leigas competentes, especializadas no campo
financeiro e com o conhecimento do caráter evangélico
da nossa Ordem.
38. Referindo-se às casas, as indicações
das Constituições e dos anteriores Conselhos plenários
são mais que suficientes para as soluções concretas
(cf. I CPO, 53). Os frades devem viver neste mundo
como peregrinos e forasteiros. Portanto encorajamos
os frades a reexaminar se as casas onde moram dão
suficientemente a impressão do chamado à providência
divina e a verificar se os lugares onde moram favorecem
ao número dos frades e às atividades ali desenvolvidas.
39. As nossas casas sejam simples
e acolhedoras e saibam conjugar a modesta sobriedade
do habitat com um certo gosto e harmonia. As nossas
opções de vida devem imprimir sua marca também nas
construções e nos ambientes; é o espírito que deve
plasmar a matéria.
40. Os aluguéis dos imóveis de nossa
propriedade são aceitáveis segundo o contexto em que
nos encontramos e segundo as indicações que o Ministro
geral com o seu Definitório acreditarem oportuno dar.
Privilegiamos porém a alienação dos bens e dos espaços
que não utilizamos mais. Se isso não for possível,
sejam destinados a fins sociais com aluguéis não especulativos.
41. Sejam organizados cursos visando
preparar adequadamente frades para que saibam unir
ao mesmo tempo competência na administração econômica
moderna e coerência com o nosso estilo de vida.
42. Conforme norma das Constituições
(71,5-6; cf. 163,3), os relatórios da metade do triênio
feitos pelos Superiores maiores ao respectivo Superior,
mesmo sob o aspecto econômico, sejam transparentes
e completos. Para este fim se elabore um formulário
válido para todas as Circunscrições. No contexto atual
da globalização, faz-se necessário uma boa rede informativa
para que haja melhor eqüidade na distribuição das
ajudas necessárias às Circunscrições necessitadas.
43. A transparência proposta para
as fraternidades e Circunscrições é válida também
em âmbito de Ordem. O caixa da Cúria geral, além do
estabelecido (por ex. a contribuição anual das Circunscrições
e os 10% das entradas para as missões), deve dispor
dos bens supérfluos das províncias e eventuais doações
não utilizadas pelas mesmas (cf. Const. 67,7). Evitem-se
investimentos a longo prazo de capitais destinados
para a imediata solidariedade (por exemplo espórtulas
de missas, doações para os pobres).
44. A Cúria geral é o organismo competente
para garantir a solidariedade e a fraternidade em
âmbito mundial. Através de estruturas aptas ela intervém
nas circunscrições que não têm condições de garantir
as necessidades vitais para os frades (a alimentação,
a formação, a saúde, o atendimento aos idosos). É
necessário que ao coordenar as contribuições para
a solidariedade se tenha presente o contexto cultural
e social onde vivem os frades .
45. É bom que o Ministro geral com
o seu Definitório estabeleça as modalidades e crie
as estruturas necessárias para que a solidariedade
possa ser efetiva e eficiente. A administração dos
fundos, de que o Ministro geral com o consenso do
Definitório dispõe para responder a estas exigências,
seja avaliada em cada Capítulo geral.