| Para os cerca de 11000 frades presentes em 99 países
diferentes (dezembro de 2002) a pertença à Ordem dos
Frades Menores Capuchinhos realiza-se antes de tudo na partilha
de vida de todos os dias no interior de uma fraternidade local.
Nossa Ordem conta com mais de 1800 fraternidades locais, compostas
pelo menos de três frades. Em geral, o número de membros
das fraternidades locais situa-se entre 5 e 12. É uma rara
exceção se passam de 30.
A fraternidade local vive a oração comum, come na
mesma mesa e partilha as responsabilidades necessárias para
a vida comum, como também os serviços que presta à
população vizinha. A ajuda fraterna, a comunhão
dos bens e a partilha com as pessoas próximas são
aspectos essenciais da vida em fraternidade.
A coordenação da vida fraterna é confiada a
um “guardião”, assistido por um vigário.
Mas todos os frades tomam parte na organização e enriquecimento
da vida comunitária por meio de reuniões regulares,
chamadas de capítulos locais. |
| As fraternidades locais formam juntas uma rede de comunhão
em um território definido, que constitui uma circunscrição
da Ordem. A circunscrição típica chama-se “província”.
Entretantro, partindo de alguns critérios – que incluem
o número de frades, o tempo de implantação,
o nível de desenvolvimento e a capacidade de autonomia –
as circunscrições também podem ser vice-províncias,
custódias ou delegações.
As delegações representam o começo da presença
organizada em determinado território. Conseqüentemente,
as fraternidades que a compõem estão ainda sob o governo
da província de origem dos frades.
Mas as redes de fraternidades locais que formam custódias
ou vice-províncias têm sempre um governo próprio
eleito pelo capítulo da circunscrição. Esses
capítulos, celebrados a cada três anos, podem reunir
todos os frades da circunscrição ou então os
delegados das fraternidades locais: cabe à circunscrição
escolher entre uma ou outra forma. O capítulo é mais
alta autoridade da cricunscrição. Em conformidade
com a Regra de São Francisco e as Constituições
da Ordem cabe ao capítulo tratar todas as questões
que dizem respeito à vida fraterna no respectivo território,
e também eleger o governo, que será formado, quase
sempre, por um “ministro” e quatro conselheiros. Esses
conselheiros são tradicionalmente chamados de “definidores”.
O ministro – ou servidor da fraternidade – e os seus
conselheiros são eleitos por três anos. O mandato do
ministro pode ser renovado por mais três anos. Mas a cada
três anos devem ser trocados pelo menos dois dos quatro conselheiros
desse governo da fraternidade.
Toda província tem uma grande autonomia na organização
de sua vida e dos serviços que desempenha. É a província
que é responsável pela admissão dos candidatos
à nossa forma de vida como também pela sua formação
religiosa e profissional.
Em nossa Ordem alguns frades tornam-se sacerdotes depois de terem
feito o caminho de formação querido pela Igreja para
se preparem para esse mister. Os outros assumem integralmente a
sua vocação de frades menores, mesmo permanecendo
leigos. É a profissão da Regra de São Francisco
e dos votos de pobreza, castidade e obediência que nos reunem
em fraternidade. O sacerdócio não cria diferenças
entre nós. Segundo os termos de nossa legislação,
todos os frades que emitiram a profissão perpétua
têm portanto iguais direitos na Ordem e podem ser eleitos
para todos os cargos necessários para o bem comum da fraternidade.
As dimensões das províncias podem variar, indo atualmente
de menos de 30 a mais de 300. Para preservar o clima fraterno e
evitar o anonimato burocrático, uma província muito
grande pode decidir articular-se em regiões menores e, portanto,
mais aptas para uma partilha familiar. Paralelamente, quando uma
província fica muito pequena para poder governar-se e se
desenvolver, pode unir-se a uma outra província para formar
com ela uma cricunscrição mais vigorosa.
Em cada uma das grandes regiões do mundo, as províncias
estão agrupadas em “conferências”. Essa
estrutura regional, em força da língua, da cultura
e de outros fatores sociais, torna mais fácil a colaboração
nos setores de interesse comum. |
| Como as províncias e as outras circunscrições
são redes de fraternidades locais, assim a Ordem, em nível
mundial, pode ser descrita como uma rede de províncias, vice-províncias,
custódias e delegações, cuja animação
é tarefa do Ministro Geral ajudado por oito conselheiros
(definidores gerais).
O Ministro Geral e os seus conselheiros são eleitos durante
o Capítulo Geral da Ordem, que é celebrado a cada
seis anos. O capítulo eral reune os ministros de todas as
províncias e vice-províncias, como também um
certo número de delegados das províncias mais numerosas
e das custódias.
Além de eleger o Ministro Geral e os seus conselheiros,
que devem ser escolhidos de cada uma das grandes regiões
da Ordem, o capítulo geral tem a atribuição
de tratar de todos os problemas da Ordem e de atualizar a nossa
legislação para que ela corresponda adequadamente
às necessidades da Igreja e ao desenvolvimento da sociedade.
Durante os seis anos de seu mandato, o Ministro Geral empenha-se
em visitar todas as circunscrições da Ordem e, quanto
possível, todos os frades. Seus conselheiros mais freqüentemente
visitarão a região que os apresentou e pela qual receberam
uma responsabilidade especial. Seu cuidado constante será
o de encorajar o desenvolvimento local e a diversidade, preservando
porém a coesão e a unidade. Também deverão
ter uma atenção particular por todas as necessidades,
seja em pessoal como em recursos materiais, que poderiam ter um
auxílio apelando-se à solidariedade da Ordem.
Para chamar a atenção para algumas questões
centrais na vida da Ordem, o Ministro Geral convoca às vezes
um conselho temporário mais numeroso, chamado Conselho Plenário
da Ordem. Os CPOs celebrados até agora trataram temas como
a oração, as missões, a formação,
nossa presença profética no mundo e a pobreza evangélica
vivida em fraternidade. Em 2004, o sétimo CPO vai tratar
da “nossa vida fraterna em minoridade”.
Ser irmãos é a expressão fundamental da pertença
à Ordem. Entretanto, somos uma família extremamente
diversificada, ao mesmo tempo unida e separada por tantas culturas,
por situações políticas, econômicas e
sociais que refletem uma parte muito grande da riqueza da humanidade,
à qual nós, presentes em tantos lugares, pertencemos.
Mas nós todos partilhamos a tradição franciscana
como história comum e íntima; estamos unidos a instituições
antigas que adaptamos conforme as necessidades de nosso desenvolvimento.
Além disso, todos decidimos viver “segundo a forma
do santo Evangelho”, servir ao Senhor e a nossos irmãos
na solidariedade e na paz. Na oração e na partilha
quotidiana de nossas fraternidades locais, existe sempre um espaço
aberto para os nossos frades provenientes de outras partes, de modo
que se vierem a nós encontram-se com facilidade no meio de
seus verdadeiros e próprios irmãos. |